Posts Recentes
Posts Em Destaque

Outubro Rosa: uma histĂłria real.

Nesse 🌾Outubro Rosa🌾, querĂ­amos poder contar uma histĂłria de verdade. Porque a Bump Ă© feita de mulheres reais e para mulheres reais. EntĂŁo, pensamos na Ju, grande amiga de uma das nossas fundadoras. Ela Ă© mĂŁe de gĂȘmeos, linda, sempre trabalhou um monte e um dia viu a sua vida virar do avesso por causa da doença. A Ju topou contar tudo para gente. Uma histĂłria difĂ­cil, mas cheia de força, coragem e sensibilidade. Se vocĂȘ ainda nĂŁo se tocou, se toque!

Hoje em dia o “antes da doença” Ă© tĂŁo distante e confuso como o “antes de ter filhos “, engraçado isso – parece que a vida simplesmente apaga. Para eu te dar uma definição concreta acho que posso dizer que minha vida era normal, o que quer que isso signifique – estava seguindo o curso esperado para uma pessoa da minha idade. O que jĂĄ me fez pensar muito Ă© que eu tive que viver a doença antes mesmo de tĂȘ-la. Quase perdi meu pai por causa de um CĂąncer muito agressivo no estĂŽmago com 60 anos de idade e, depois de 3 meses da sua alta, eu descobri o meu CĂąncer.

Antes de descobrir meu tumor meu maior sonho era crescer na minha profissĂŁo, ganhar dinheiro, dar todas as oportunidades possĂ­veis e a vida mais confortĂĄvel que existe para meus filhos. Queria ser uma boa mĂŁe, esposa e amiga.

Eu descobri meu tumor em um exame de rotina que teoricamente nem era para eu fazer mas, como meu pai ficou muito doente, eu quis me precaver. No laboratĂłrio mesmo jĂĄ me sinalizaram que haviam “encontrado” algo. Meu marido, que Ă© a melhor pessoa do mundo, foi para quem eu liguei. Tentamos conseguir todas as informaçÔes possĂ­veis antes de ligar para os meus pais porque o meu pai ainda estava muito debilitado.

Meus filhos tinham 2 anos e 9 meses e o Ășnico dodĂłi que eles conheciam era o que sarava com um beijinho e um band-aid. Eu sentei com eles um dia e falei que a “MamĂŁe tem um dodoi no peito e vai ficar fraquinha durante um tempo. Todos tem que ajudar o papai, ok?”. O dia que eu cheguei em casa depois da cirurgia eles estavam me esperando com um band-aid na mĂŁo.

A quimioterapia tem muitos efeitos colaterais, cada pessoa reage de uma forma, depende da medicação – eu sentia dor. E essa dor me derrubava, eu nĂŁo conseguia levantar da cama. Essa foi a pior parte – a consciĂȘncia plena de que vocĂȘ nĂŁo tem controle nenhum sobre o seu corpo e nĂŁo adiantava as crianças ficarem do seu lado te chamando, vocĂȘ nĂŁo consegue levantar. Redes de apoio sĂŁo sua famĂ­lia e amigos, sĂŁo eles que te lembram todos os dias que vocĂȘ nĂŁo pode desistir. Existem muito grupos “famosos” mas nada relevante.

Eu nunca mais respirei aliviada. Desde o dia em que a mĂ©dica do laboratĂłrio me perguntou se eu era “prĂłxima” da minha ginecologista, nunca mais. O medo Ă© de morrer mesmo, mas mais do que isso, de deixar as crianças sem mĂŁe. Medo de nĂŁo descobrir uma reincidĂȘncia cedo o suficiente, medo de um dia acordar e ter que passar por tudo aquilo de novo.

Parece cliché mas mudou tudo. Revi todas as minhas prioridades e mudei a minha relação com as pessoas. Hoje eu sou uma pessoa que vive à sombra de uma doença cruel e, por mais que eu tente não falar ou esquecer, estå aí.

Hoje minha prioridade mĂĄxima Ă© a minha famĂ­lia e a minha rotina gira em torno deles 100%.

Meu maior sonho hoje é ver meus crescerem saudåveis e felizes, conquistando o espaço deles com caråter e gentileza. Não preciso de mais nada além disso.

Procurar por tags